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Saudade, a palavra sem tradução

Saudade, a palavra sem tradução

Quando você decide fazer um intercâmbio e começa a programar, pesquisar e acertar tudo é um dos momentos mais mágicos da vida, principalmente se é um sonho antigo e que batalhou muito para realizá-lo. Eu nunca tive o sonho de fazer intercâmbio, nunca quis morar fora do meu país e muito menos ficar longe da minha mãe, família e amigos, mas a vida é feita de surpresas e as vezes aquilo que você nem imagina acontece. Até que me formei na faculdade, fui efetivada no estágio (meu primeiro emprego de carteira assinada, uhuw quanta alegria), tinha meu dinheirinho, fazia academia e estava tudo aparentemente indo bem…mas eu vi que faltava alguma coisa, não era daquele jeito que tinha pensado que seria a minha vida. Seria aquela mesmice e monotonia diária? teria que me levantar super cedo, enfrentar 2 horas de engarrafamento para ir e mais 2 horas para voltar, chegar em casa tarde e cansada e dormir para no dia seguinte ser a mesma rotina? Eu não queria isso para mim, não queria que minha vida seguisse para esse caminho. Até que do nada, em uma conversa com uma amiga decidimos pesquisar preços de intercâmbio, só por pesquisar mesmo, afinal, não queria morar fora né? Viajar tudo bem, era meu sonho, mas não passar mais de um mês em terras longínquas. Pesquisei os destinos, preços e tudo e decidi me arriscar, assim de uma hora para a outra, eu sozinha. Mas a moça da agência conseguiu me convencer a ficar 6 meses e não 1 mês como pensava. Por que não ir então? O que iria perder? Já tinha um dinheirinho guardado desde meus primeiros estágios, sai bem do trabalho com propostas já de voltar a trabalhar assim que voltasse, e afinal a Irlanda era logo alí, só 12 horinhas de viagem (hahaha) e também ia voltar em 6 meses (pelo menos era o que eu imaginava). Lá eu ia melhorar o inglês, conhecer gente do mundo inteiro e ter a melhor experiência da minha vida. Então fui.

Até que o tempo passou bem rápido desde que decidi vir, 4 meses e eu já estava no aeroporto, com minhas malas prontas, muita coragem e um sonho para viver, um sonho que eu classifico como o melhor e o mais difícil da minha vida. 17 de Maio de 2014 eu chego  em Dublin. Eu não consegui acreditar que aquela menina que tinha tantos sonhos, passou por tanta coisa conseguiria estar ali, naquele aeroporto para vivenciar uma nova experiência, novos desafios, novos medos, mas o que eu não sabia era que além disso tudo eu me descobriria, me conheceria…. conheceria meus limites, enfrentaria os meus medos, me encheria de coragem e mesmo quando não a tivesse, o enfrentaria.

Meu primeiro ano na Irlanda me ensinou muito, cresci muito como pessoa, tive experiências maravilhosas, Melhorei meu inglês, conheci pessoas incríveis de todos os lugares do Brasil e do mundo e tentei aprender o máximo possível com eles. Conheci muitos lugares maravilhosos, literalmente cenários de filmes tanto pela Irlanda quando pelos diversos países que conheci. Mas sem menosprezar nada e ninguém, nem toda a violência e corrupção podem tirar o mérito da beleza do Brasil e da nação brasileira, ninguém tem o melhor calor e recepção que esse país, isso sim eu tenho orgulho.

Eu me mudei recentemente, minha quarta casa aqui desde que cheguei em Dublin. Convivi com gente de muitos lugares do Brasil (sim, todos brasileiros), e me sentia sempre muito em família. Os tenho como família até hoje, já até dividimos a mesa de natal no natal passado, tem coisa mais de família que isso? Mas as vezes você precisa mudar, conhecer novos ares, voar, aprender mais um pouco, afinal existe coisa melhor que desafiar os seus limites e saber até onde pode ir e no final descobrir que era mais forte do que pensava?!

Uma coisa que aprendi aqui é que nada é eterno e tudo muda, você nunca sabe quando, mas muda. Você chega feliz e super empolgado, faz diversas amizades, algumas boas e verdadeiras amizades, mas aí o tempo vai passando e o tempo dessas pessoas vai acabando. Aí você se despede de uma, de outra, e de outra, e de outra e quando vê só está praticamente você dos “velhos tempo”, e agora? o que fazer? É meu amigo, tenho que te dizer que essa parte é a que mais dói. Como você está longe dos familiares e amigos do Brasil você forma uma nova família aqui, e é verdadeira e quando ela vai se desfazendo, seu coração se desfaz um pouquinho também com cada um que se vai. Mas essa é uma parte que temos que lidar, nós que decidimos ficar aqui até quando Deus quiser. Isso faz parte da trajetória, faz parte do crescimento, faz parte do intercâmbio.

Posso te dizer de coração que a “saudade” não foi muito minha companheira nesse um ano que vivi aqui, afinal era tudo novo, tudo recente, tava na melhor fase da minha vida. Claro, as vezes batia um “poxa, queria que minha mãe tivesse aqui pra conhecer esse lugar” ou “minha amiga amaria isso”, mas ainda não era algo que fosse demasiado. Mas o tempo vai trazendo-a calmamente, até que um dia ela explode e sai pelos olhos. Mas faz parte do processo. Temos que aprender a lidar com ela, a danada da saudade.

Confesso que amo esse lugar, amo cada parte daqui, sei que não é um país perfeito, mas afinal qual é? Mas eu consigo definir hoje a Irlanda como o meu lar, não posso te garantir que definitivo, afinal, esse mundo de surpresas tudo pode acontecer, mas sinto paz aqui, sinto que pertenço aqui, pelo menos até agora. Apesar da saudade começar a bater mais forte, da família, dos amigos, das companhias, das festas de família, dos risos frouxos, dos planos, dos sonhos antigos, eu quero tentar mais um pouco, eu quero aprender mais um pouco, eu quero me conhecer mais um pouco.

Essa palavra da nossa língua portuguesa não tem tradução, SAUDADE, mas não precisa né? Quem vive fora sabe muito bem o que é isso e a tradução fica por conta das histórias, do sorriso bobo das lembranças e de uma lágrima que cai enquanto lembra daqueles que tem muito carinho e guarda no coração até a vez do reencontro. Por enquanto sigo aqui, até quando o meu Deus quiser.

Um beijo com carinho,

Nathy

*Dedico esse post a minha mãe, que tanto me ajudou e me incentivou a chegar até aqui e é a responsável por grande parte dessa saudade. Te amo mãe.

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Sobre o Autor

Nathy administrator

Turismóloga pela UFF, Mestre em Turismo pela Universidade de Évora, Portugal. Coach Intercultural. Mora fora do Brasil desde 2014, já tendo morado na Irlanda e atualmente em Portugal. Visitou 20 países. Ama viajar e trocar experiências de viagem. Conhecer o mundo e novas culturas é o que a motiva. Descobriu que melhor do que isso tudo é compartilhar essas aventuras pelo Mundo com amigos queridos.

Não há comentários até agora

DehPostado em12:04 am - jul 1, 2015

Nossa,adorei descobrir seu canal e e blog,eu amo viajar e todo aquele sentimento bom que só quem ama viajar sente.E exatamente por esse sentimento comecei a pensar em.cursar turismo e tentar o terrivel enem.Lendo esse seu post,deu mais vontade ainda de cursar turismo e que bom que tudo foi fluindo tao bem pra você quanto ao estagio e tudo mais.Tenho algumas duvidas sobre o.curso,poderia me ajudar?Gostariade saber se as materias queenvolvem matematica vai “castigar” muito quem não é tão boa nessa materia e quais as areas uma turismoloa pode atuar e qual delas mais te interessou?
Se você preferir fazer um video falando sobre como foi sua graduaçao e quais foram suas impressoes quando vc entrou e se com o decorrer do curso superou suas expectativas e tal,vai ajudar nao sou eu como muitas outras pessoas.Mas só to sugerindo o video,pq tem tem vlogueiro que prefere gravar video respondendo e tal.Porém se quiser me responder.por aqui vou adorar também.Só iria gor muito que vc me ajudasse me.orientando quanto essa area,ja que vc viveu e vive esse meio.E desculpa o.comentario longo.
Muuuuito sucesso aí na Irlanda e seja la qualoutro lugar vc decidir passar.

/

Ps:Desculpa alguns erros,meu teclado está horrivel.rsss

MárciaPostado em11:53 am - jul 1, 2015

Saudade: “Mas o tempo vai trazendo-a calmamente, até que um dia ela explode e sai pelos olhos”
Nesta parte do texto eu já estava sem enxergar de tanto chorar. Que saudade!!!!!
<3 Eu sei do que você está falando. Sinto sua falta amiga, demais.

TAG: Descobrindo novos blogs |Postado em9:49 pm - dez 25, 2015

[…] Todos são muito especiais, de verdade. Mas o que mais mexeu comigo ao escrever, porque estava passando por uma fase mais sensível e bateu uma saudadezinha foi o post Saudade, a palavra sem tradução. […]

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