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Hospitalidade: uma questão cultural?

Hospitalidade: uma questão cultural?

Você já teve uma experiência incrível que te fez se sentir um lixo de pessoa?  Pois eu tive ontem aqui em Dublin.

No dicionário Michaelis Hospitalidade significa ato de hospedar, qualidade de hospitaleiro e bom acolhimento. Ai eu te pergunto, a hospitalidade é uma questão cultural ou pessoal? Para mim a cultura influencia muito, pois diz respeito a essência de vida do indivíduo, aquilo que ele aprende desde pequeno na educação de casa, os valores ensinados na sociedade e o que ele aprende com a vida, mas não tira a responsabilidade individual do bem receber. A hospitalidade pode está relacionada ao turismo, ao transporte, aos meios de hospedagem, a alimentação etc, mas o ponto que quero falar é sobre a hospitalidade urbana, que diz respeito ao bem estar não só do turista, mas dos moradores da localidade.
      Pode parecer pouco para alguns, mas pra mim significou muito e me fez perceber ainda mais a essência da hospitalidade incumbida no povo irlandês e a admirável cultura de ajudar o próximo, o receber com amor e não olhar sempre para o seu próprio umbigo. Vou contar rapidamente o que ocorreu ontem que mexeu comigo e me fez colocar na balança a realidade da Irlanda e do Brasil. Ontem (quinta feira) após sair com uns amigos para praticar inglês em um grupo de estudo, ficamos conversando até tarde e voltamos pra casa já no inicio da madrugada. Aqui em Dublin a maioria dos comércios fecham as 17:00 e os pubs e restaurantes normalmente não passam das 2 da manhã, por isso a partir das 00:00 não se vê tanta gente andando na rua. A rua de casa estava vazia, e ainda de longe avistamos um rapaz com uma varinha na mão que ia até o meio da calçada e voltava, ia e voltava, como brasileira  que sou passou várias opções na cabeça: poderia estar bêbado, poderia está se fingindo de cego para nos assaltar, poderia estar fazendo qualquer coisa ruim, porque essa é a realidade do Brasil e é sob esse medo que vivemos. Por um momento decidimos andar de vagar pra ver o que ia dar, mas logo depois eu percebi que estava na Irlanda e não precisava ter essa desconfiança que o brasileiro normalmente tem. Mas por que desconfiança foi a primeira coisa que veio na minha mente? Porque essa é a realidade em que vivemos no Brasil, temos que ter isso para sobreviver,  é a nossa defesa. Chegando perto do rapaz percebi que ele realmente era cego, eu parei e perguntei se ele precisava de ajuda, ele estava com um rosto meio desesperado e disse que sim, que estava procurando a casa número 57. Então começamos a procurar o número e o rapaz se desculpava o tempo todo. Do nada apareceu um guarda vindo em nossa direção e eu expliquei a ele a situação e vi na sua feição a preocupação dele e prontamente começou a nos ajudar na caça do número 57. Procuramos por uns 5 minutos, ofereci de ligar para alguém que pudesse vir encontrá-lo, mas o guarda já tinha encontrado a casa e nos gritou. Depois de uns 5 pedidos de desculpas deixamos o rapaz na porta de casa e continuamos nossa caminhada. Paramos na esquina para vê-lo entrar, percebi que de longe o guarda observava o rapaz. Depois de algum tempo  parados vimos que ele não estava conseguindo abrir a porta e voltamos para novamente ajudá-lo, ele muito agradecido novamente nos deu um monte de pedido de desculpas, nos despedidos, desejamos boa noite uns aos outros e fomos para casa. Aqui a educação é de criação, o guarda realmente trabalha pra te garantir segurança e seus direitos, a cadeia aqui é composta por pessoas que não pagam a taxa anual de TV ou coisas pequenas e não por quem mata pais de família. Eu ainda ando aqui um pouco atenta (afinal não é de um dia para o outro que se esquece a tensão que se vive no Brasil), mas ando aqui tarde da noite sem medo de ser abordada, assaltada ou até mesmo morta como acontece na terrinha verde e amarelo. Aqui ninguém anda armado, nem a policia, as pessoas se respeitam, te pedem desculpa mesmo se você tiver esbarrado nela... Após vê-lo entrar em casa eu caí no choro, pois percebi que aqui as pessoas são ensinadas a ajudar, a zelar umas pelas outras e também pelo fato de quase não ter ajudado uma pessoa que precisava por medo. Fiquei feliz em poder ajudá-lo e hoje apenas 6 dias que estou aqui já sinto uma evolução como pessoa  e pretendo aprender muito mais como ser um ser humano melhor. Vejo como o Brasil precisa mudar, como a mentalidade e a realidade brasileira precisa evoluir, mas sabemos que esse é um desafio árduo, mas se começar conosco já poderá surgir algum efeito. Deixo claro que amo o Brasil, é lá que moro e irei voltar, mas não posso omitir diante de uma realidade tão diferente.

 A gente se acostuma fácil com o que é bom.


Abraços gelados  a todos. ( no momento fazem 9º com sensação de 3º uiiii)

Nathy

Sobre o Autor

Nathy administrator

Turismóloga pela UFF, Mestre em Turismo pela Universidade de Évora, Portugal. Coach Intercultural. Mora fora do Brasil desde 2014, já tendo morado na Irlanda e atualmente em Portugal. Visitou 20 países. Ama viajar e trocar experiências de viagem. Conhecer o mundo e novas culturas é o que a motiva. Descobriu que melhor do que isso tudo é compartilhar essas aventuras pelo Mundo com amigos queridos.

Não há comentários até agora

Maria Angélica XimenesPostado em12:36 pm - maio 27, 2014

Que maravilha saber que nossa família receberá uma pessoa, já tão educada e querida, com acréscimos culturais tão importantes!!! Te amo muiiito!!! Deus te guarde!!! Beijos muito carinhosos da tia Maria Angélica

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